Explorar poças de maré é observar a vida nas poças que o mar deixa entre as rochas na maré baixa. Não precisas de equipamento nem de conhecimentos para começar. Basta uma boa maré baixa, calçado com sola firme e alguma paciência.
O que vive nas poças de maré
Uma costa rochosa tem zonas. A parte alta só fica debaixo de água na preia-mar, e a parte baixa só fica a descoberto nas maiores baixa-mares. Quanto mais desces, mais vida encontras, porque os animais da parte baixa da costa aguentam menos tempo o ar e o sol.
- Anémonas. A mais comum é o tomate-do-mar, uma bolha vermelha de gelatina na rocha. Debaixo de água, abre os tentáculos.
- Caranguejos. Os caranguejos-verdes escondem-se debaixo das pedras. Os ermitões vivem em conchas vazias de caracóis.
- Peixes. Pequenos góbios e marachombas ficam nas fendas e imobilizam-se quando lhes cai uma sombra em cima.
- Equinodermes. Estrelas-do-mar, ofiúros e ouriços-do-mar vivem sobretudo na parte baixa da costa.
- Caracóis-do-mar. Lapas coladas à rocha, burriés e caramujos de concha colorida.
- Camarões. Quase transparentes; só os vês quando se mexem.
- Lesmas-do-mar. Pequenos nudibrânquios coloridos. Difíceis de encontrar, fáceis de recordar.
- Algas. Fucos na parte alta e média da costa, laminárias mesmo em baixo, algas vermelhas à sombra.
Em West Angle Bay, no País de Gales, vive uma pequena estrela-almofada verde, Asterina phylactica, só descrita pela ciência em 1979. No calcário de Hook Head, na Irlanda, vêem-se crinoides fósseis ao lado das poças. Cada costa tem algo de seu.
Quando ir
O melhor momento é uma baixa-mar de maré viva, um ou dois dias depois da lua nova ou da lua cheia. Isso deixa a descoberto a parte baixa da costa, com a vida mais rica. Chega uma hora antes da baixa-mar e acompanha a maré a descer. Um mar calmo importa tanto como uma maré baixa: com muita ondulação, a água passa por cima dos degraus e não consegues ver dentro das poças.
No verão, as baixa-mares de maré viva calham de manhã ou ao fim do dia em muitos locais, o que convém a uma saída. No outono e na primavera, por volta dos equinócios, as baixa-mares são as maiores do ano. Podes ver as horas no guia marés para principiantes e janelas já preparadas na previsão de marés.
Como observar
- Pára junto a uma poça e espera um minuto. Os animais que se esconderam ao ver-te voltam a sair.
- Olha debaixo dos salientes das rochas e para dentro das fendas. Aí é húmido e fresco.
- Levanta uma pedra com cuidado, olha para a face de baixo e volta a pô-la exatamente como estava. Uma pedra deixada ao contrário é uma condenação à morte para o que vivia debaixo dela.
- Usa um tabuleiro ou balde branco com água do mar para ver de mais perto. Mantém-no à sombra e muda a água.
- Pega num caranguejo por trás, pela carapaça, com os dedos nos lados. Assim as pinças não te alcançam.
As regras: o Código da Orla Costeira (Seashore Code)
As organizações britânicas de vida selvagem usam um código simples. Na área de conservação de Wembury, diz o seguinte: observa os animais onde estão ou por pouco tempo num recipiente com água do mar, volta a pô-los depressa onde os encontraste, não uses redes, não mates nem leves nenhum animal, e deixa as rochas e as algas como as encontraste.
- Não arranques anémonas nem lapas da rocha. Danificam-se com facilidade.
- Não leves animais para casa. Morrem depressa num aquário.
- Vê onde pisas, porque há mais vida debaixo dos pés do que aquela que se vê.
- As reservas têm proibições adicionais. Por exemplo, a reserva de Seaford Head, junto a Hope Gap, proíbe toda a apanha.
Cuida também de ti. Nas praias de areia, em água quente, pode haver um peixe-aranha de espinhos venenosos enterrado. Usa calçado.
O que levar
- Calçado com sola firme e aderente. As algas nas rochas são muito escorregadias.
- Um balde ou tina branca, uma lupa e, talvez, um guia de campo da costa.
- Um telemóvel numa capa à prova de água e a hora da baixa-mar anotada.
- Roupa quente, mesmo no verão. Numa costa aberta há vento.
Segurança
O problema mais comum não são as ondas, mas a maré a subir a cortar-te o caminho de volta. Vê as horas e começa o regresso na baixa-mar. Não fiques debaixo de arribas, porque há quedas de rochas, sobretudo de giz. Com muita ondulação, afasta-te da beira dos degraus voltada para o mar. Uma só onda maior pode arrastar uma pessoa, mesmo num dia bonito.
Por onde começar
Para uma primeira saída, escolhe um local com degraus planos e uma descida fácil. Em Inglaterra, Wembury, em Devon, e Kimmeridge Bay, em Dorset, estão bem documentados. Na Bretanha, vastos campos de rocha ficam a descoberto em Roscoff e na Île de Batz. Na Irlanda, as Pollock Holes de Kilkee merecem uma visita. A página de cada local tem as regras locais e a previsão atual da baixa-mar.
Aprender com outras pessoas
Muitos centros organizam sessões guiadas: o Wembury Marine Centre em Devon, o Dorset Wildlife Trust em Kimmeridge, grupos locais na Bretanha. Os Wildlife Trusts também organizam o Shoresearch, em que voluntários fazem o levantamento de espécies na costa. É uma boa maneira de aprender a dar nome ao que vês.
Fontes
- Wembury Marine Centre, Seashore Code
- Devon Wildlife Trust, Rocky Shore Guide (PDF)
- The Wildlife Trusts, rock pooling
- Sussex Wildlife Trust, Seaford Head
- Angle, Pembrokeshire (West Angle Bay), Wikipédia
- Dorset Wildlife Trust, Fine Foundation Wild Seas Centre
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